São Paulo, fevereiro de 2007 — Instaurado o debate em busca de soluções para o uso e descarte excessivo de sacolas plásticas, a indústria nacional dá um passo à frente no caminho rumo à sustentabilidade. Pioneiros no mundo, os fabricantes brasileiros apresentam um programa inovador de redução, reutilização e reciclagem — os 3Rs — desse tipo de embalagem.
Enquanto governos de vários países impõem à sua população medidas legais que restringem uso das sacolinhas, no Brasil, a Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, o Instituto Nacional do Plástico (INP) e a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief), que representam os fabricantes, lançam voluntariamente o Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas.
Assim, a própria indústria estabelece uma espessura mínima de 27 micra (ou 0,027 milímetros) para as sacolas comumente distribuídas nos supermercados do país, calculando uma diminuição de 30% da produção desse tipo de embalagem. Isso será possível porque os consumidores poderão dispensar a duplicidade para transportar suas compras.
Além disso, pesquisa Ibope encomendada pela Plastivida revelou que 100% dos entrevistados nas classes B, C e D as usam com essa finalidade, o que torna praticamente desnecessários os tradicionais sacos de lixo, aos quais a população recorreria em caso de falta daquelas, ainda que possam ser poluentes e caros, além de desvantajosos em relação ao novo padrão de resistência da sacola distribuída no varejo.
A base para o cumprimento da primeira meta da indústria — reduzir — é o Termo de Parceria – Indústria do Plástico e Supermercados, firmado em 6 de dezembro de 2007, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo. O documento foi assinado pelos mencionados representantes da indústria do plástico, pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e pela Associação Paulista de Supermercados (Apas).
Mais que intenções, o Termo de Parceria registra o comprometimento dos signatários com a produção e a distribuição de sacolas plásticas mais resistentes. Em conformidade com a Norma Técnica ABNT 14.937, elas poderão acondicionar mais produtos e, assim, evitar o desperdício e o uso de duas ou três embalagens sobrepostas. O peso que cada sacola suporta aparecerá em destaque, medida que permitirá ao consumidor calcular a resistência a partir da soma do peso bruto dos produtos que comprou. Além disso, embora as novas sacolas sejam mais caras, o varejo não vai arcar com custos mais altos para abastecer-se, uma vez que poderá encomendar à indústria um volume menor de embalagens.
Contemplados os dois primeiros Rs, de redução e reutilização, o terceiro, mas não menos importante, correspondente ao da reciclagem. O plástico é um produto 100% reaproveitável de diferentes formas. A chamada reciclagem mecânica permite a criação de novos produtos e gera empregos e renda. As empresas recicladoras de plástico processaram 520 mil toneladas de sucata no ano passado e empregaram diretamente 20 mil pessoas, produzindo riquezas da ordem R$ 1,8 bilhão por ano, embora sua capacidade produtiva ainda seja subaproveitada. A ociosidade no setor é da ordem de 40%. Apenas a coleta seletiva pode mudar essa situação.
A reciclagem energética, por sua vez, é a recuperação da energia contida nos plásticos por meio de processos térmicos e distingue-se da incineração por utilizar os resíduos plásticos como combustível na geração de energia. A alternativa tem potencial para resolver questões ambientais e logísticas, pois não exige a separação do lixo orgânico. Os resíduos que chegam aos aterros embalados em plástico podem ir diretamente para o processamento, que reduz a massa do material em 70% a 90%, deixando apenas um resíduo inerte esterilizado, e produz eletricidade.
Espera-se que os 3Rs resultem em ganhos simultâneos para a sociedade e para o meio ambiente. Se todos os segmentos sociais admitirem sua responsabilidade nesse processo de mudança de paradigmas, sem procurar vilões neste ou naquele produto, a sustentabilidade será meta rapidamente alcançável.
Sobre a Plastivida e o INP
A Plastivida Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos foi fundada em 1994. Nesses 13 anos de vida, acumulou grande conhecimento em áreas como educação ambiental, responsabilidade social e legislação sobre manejo de resíduos sólidos urbanos, coleta seletiva e reciclagem. Com esse perfil, a entidade vem promovendo a interação entre a sociedade, os governos e as indústrias do setor. A utilização ambientalmente correta do plástico está entre seus principais objetivos.
O Instituto Nacional do Plástico (INP) iniciou suas atividades em 1989 com o propósito de atuar como vertente tecnológica da cadeia produtiva do plástico. Trabalha ainda no sentido de tornar o mercado brasileiro de plásticos mais competitivo no cenário internacional e desenvolve projetos a partir das seguintes frentes de trabalho: Qualidade e Produtividade, Tecnologia, Agronegócio, Qualificação Profissional, Normalização, Imagem do Plástico e Exportação.
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